Seis meses depois dos shows do Simple Plan no Brasil, relembramos o fim da turnê.

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Em maio de 2018, o Simple Plan desembarcou no Brasil para encerrar a turnê comemorativa de aniversário do primeiro album de estúdio da banda: No Pads, No Helmets… Just Balls, lançado em 2002. Apesar da ausência de David Desrosiers (substituído ora por Chady, o fotógrafo, ora por Chris, o técnico de som), que nunca deixará de ser sentida pelos fãs enquanto ele estiver afastado dos palcos, os outros quatro integrantes da banda entregaram um espetáculo completo por onde passaram: cheio de nostalgia, piadas e interação com o público. Enquanto tocavam as músicas do primeiro CD, até reviver o estilo de roupas que eles mesmos usavam dezesseis anos atrás, os músicos reviveram.

“Quando esse álbum foi lançado, vocês ainda eram crianças. Provavelmente tinham muitos pôsteres de nós pregados nas paredes e pediam: ‘por favor, mãe, me deixa ir ao show, eu amo eles!’ Mas ela não deixava. Agora vocês tem idade suficiente pra fazer o que quiserem. Foda-se você, mãe! Tô brincando, não mandem a mãe de vocês se foder”, Pierre Bouvier, o vocalista, brincava entre uma música e outra, arriscando expressões em português. De alguma maneira, essas palavras foram um relato surpreendentemente fiel à vida de muitos dos fãs naquela época. Todo adolescente passa pela trágica situação de não ter permissão para assistir a banda favorita ao vivo, não é? Mas ouvir o próprio ídolo falando sobre isso tem um peso especial e uma graça a mais, o que arrancou risadas e aplausos da plateia.

À medida que o espetáculo avançava, a tematização do palco e das roupas dos integrantes também mudava, acompanhando as diferentes fases vividas pelo Simple Plan, totalizando quase duas horas de apresentação. Nesse meio tempo, o vocalista troca de lugar com o baterista, eles reclamam de dores nas costas, nos joelhos e do quanto estão velhos, chove papel picado e colorido, há explosão de gelo seco, bolas infláveis gigantes passeiam pelo público, o baterista mergulha do palco na plateia e o vocalista vai até o meio da pista para cantar uma das músicas de lá. Mais para o final do show, os hits mais recentes entram na setlist, agradando tantos os fãs antigos quanto os mais recentes.

Apesar dos shows serem igualmente enérgicos, uma das grandes diferenças entre essa última turnê e as anteriores foram as novas experiências pagas oferecidas pela banda, que já abria espaço há vários anos para alguns dos seus fãs assistirem às passagens de som que antecediam os shows. Além dessa possibilidade, agora o Simple Plan oferece também a Pizza Party e o Main Event, consideravelmente mais caros que os simbólicos 15 dólares anuais pagos por quem se candidata à assistir as passagens de som dos shows para os quais tem ingresso garantido. Por um lado, com a queda massiva na venda de CDs (em um cenário mundial) graças às plataformas de streaming e a sobreposição da popularidade da internet em relação às grandes mídias, meet and greets e shows são, hoje, as principais fontes de rendas para artistas musicais, de maneira que expandir o investimento nesses dois setores é perfeitamente compreensível para qualquer banda. Por outro lado, quanto mais opções de experiências pagas oferecidas, menor é o tempo que os membros da banda se dispõe a gastar em cada uma delas – e, em relação a isso, muitas reclamações tem surgido. A passagem de som (apesar de sempre sempre um momento mágico, onde os fãs escutam a banda tocar músicas que, por muitas vezes, não estão no repertório oficial – como, em maio, Perfect World, Vacation, The Rest of Us, etc), atualmente, é muito mais compacta do que costumava ser, já que, logo depois dela, os músicos precisam se preparar para receber os pagantes da Pizza Party. Nesse evento, a interação dos fãs com Pierre, Jeff, Chuck e Sebastien é consideravelmente mais tranquila e cuidadosa, além de mais seleta, rendendo aos participantes pôsteres autografados, fotos e conversas mais longas com os integrantes. O Main Event, que segue também o mesmo estilo de encontro nos bastidores, acrescenta ainda uma setlist autografada, palhetas de todos os integrantes e a oportunidade de assitir ao show diretamente de cima do palco, o que rende a experiência única de aproveitarem não só o espetáculo feito pela banda, mas também aquele feito pela plateia, lá embaixo, nas pistas e camarotes, durante as músicas. Além disso, há também a vantagem de não enfrentar filas, multidões ou obstruções visuais.

No Brasil, o preço desses meet and greets são sempre muito altos, já que a conversão dos valores é feita seguindo simplesmente a cotação do dólar americano, sem analisar quaisquer outros fatores sociais, como desenvolvimento do país em que o show está sendo realizado, a média de salário ou cenário econômico – para a maioria das pessoas, quase R$800,00 para viver esses momentos com os ídolos simplesmente não é acessível, apesar de tentador. Em contrapartida, o Simple Plan garantiu muito bem que apenas a experiência de assistir ao show valesse à pena para quem estava presente nas apresentações dessa turnê e, além disso, eles abrem espaço também em qualquer aeroporto e porta de hotel para quem quiser ir até eles tirar uma foto.

Ao desembarcar em Porto Alegre, vindos de Buenos Aires, o Simple Plan enfrentou o frio sulista em sua primeira apresentação em solos brasileiros em maio. Pierre Bouvier até comparou o clima com o do Canadá, enquanto sua respiração virava vapor em cima do palco. Muitos fãs viajaram para acompanhar um ou mais shows da banda por aqui e, em um país com dimensões continentais como o Brasil, essa foi uma oportunidade imperdível para rever os amigos que moram longe. Muitas pessoas são diariamente unidos pelo amor em comum aos ídolos e, quando se trata de Simple Plan, isso não é diferente: desde o começo dos anos 2000, em redes sociais, existem laços fortíssimos de amizade entre pessoas de todos os cantos – nós, integrantes do Simple Plan Brazil, estivemos todos presentes no show de São Paulo, por exemplo, um raro momento em que estivemos juntos no mesma cidade (e até estado). Mas é claro que, com a agitação, a expectativa para o show e os famosos imprevistos, não conseguimos reunir todos ao mesmo tempo! Tudo bem! Fica pra próxima turnê!

Foi em São Paulo também que entrevistamos a banda em nome do próprio Simple Plan Brazil e em nome da Highlight Sounds – empresa responsável pela produção e venda do merchandising oficial do Simple Plan no Brasil. Enquanto escolhíamos as perguntas a serem feitas e tentávamos não optar por nada que pudesse soar clichê, surgiu a ideia de lermos para Chuck e Jeff tweets nossos falando não-tão-bem-assim do Simple Plan. “Eu não acredito que o Simple Plan se reuniu e decidiu que Saturday era uma música boa” e “O Chuck tem um monólogo pra tudo?” foram frases recebidas por risadas pelo guitarrista e pelo baterista da banda, que concordaram com ambas as constatações. Para compensar, depois fizemos o inverso e lemos para eles todo o nosso amor expressado online. Além disso, também propusemos brincadeiras com um quiz e um jogo de “quem é mais provável de fazer tal coisa?”, tratando de assuntos divertidos como caipirinhas, quantos shows o Simple Plan já fez no Brasil ao todo, quais são as famas das capitais brasileiras, quem da banda mais provavelmente cuidaria de alguém doente (Chuck), quem aprenderia a falar português com mais facilidade (Sebastien), quem se mudaria para o Brasil (Pierre) e quem choraria em algum local público (Jeff). Conversamos também sobre a vida pessoal dos integrantes, se as músicas do Simple Plan são populares entre os filhos deles e como é a relação deles com os fãs.

Caso você não tenha assistido à nossas entrevistas, você pode acessá-las por aqui:

Ao ler a versão final da entrevista a ser feita com Chuck e Jeff, nossa equipe teve a sensação de que as perguntas fluíam muito mais como uma conversa entre amigos do que como uma entrevista propriamente dita, e isso se dava não só ao formato de perguntas e respostas que escolhemos, mas principalmente à abertura que o Simple Plan sempre deu aos fãs – eles sempre permitiram a eles mesmos divertirem-se conosco nos shows, nos encontros e nos Meet&Greets. Eles estão sempre fazendo piadas por aí, coisa que parece se intensificar, de alguma forma, quando chegam ao Brasil. Durante a passagem da banda por aqui, por exemplo, Jeff Stinco publicou muitas fotos no Instagram com legendas hilariamente traduzidas em português. A foto publicada depois do show de Uberlândia traz os seguintes dizeres: “E aí, meninos e meninas, turubão? Genteee! Aqui está minha última foto modelany pra vocês, meus brasileirinhos que tanto amo! Sério, gente, essa foi a melhor turnê que fizemos no Brasil até então. Estou muito feliz de ter conhecido vários fãs em todas as cidades que fomos. Obrigado por todos os mimoooos, pelas palavras, e obrigado por serem tão leais! Somos uma família agora! Uberlândia, darei o meu melhor hoje à noite! Vamos arrebentar a boca do balão!” Caso você queira conferir a legenda em primeira mão, aqui está o link para a imagem no Instagram do Jeff.

Além disso, Sebastien publicou, no Rio de Janeiro, essa imagem da piscina do hotel em Copacabana em que garante estar se divertindo tanto no Brasil que não conseguiu evitar a pose de blogueiro:

Além de blogueirar e arrebentar a boca do balão, o Simple Plan também passeou pelas cidades em que estiveram, comeram churrasco, beberam cachaça, jogaram bola na rua com algumas crianças, aprenderam o significado de “opa” e “eita” e compraram CDs da Elza Soares. Em cima do palco, no entanto, não foi música popular brasileira que tocaram, e sim funk. No Rio de Janeiro, Jeff deu uma palhinha de “Vai Malandra”, da Anitta, momento registrado pelo Bruno Calmon através desse vídeo:

Por falar em funk, a música que tocou logo após o encerramento de todos os shows da banda, enquanto estavam aqui, foi “Envolvimento”, da MC Loma. Foi ao som dessa canção que desembarcaram, também, no aeroporto de Uberlândia. Enquanto a banda atendia os fãs que esperavam por eles na sala de desembarque, a produção, que esperava ao lado da van, rebolava (ou tentava) e cantava (ou tentava) enquanto “sento, sento, sento, sento, sento e quico devagar” ecoava dos auto-falantes do celular do técnico de iluminação. Você pode conferir o vídeo (gravado por Maria Clara Lacerda) desse momento aqui:

O pré-show do Simple Plan também foi marcado por hits brasileiros. A playlist tocada antes das apresentações era feita exclusivamente de músicas que estouraram no cenário do rock e do punk no começo dos anos 2000, quando o Simple Plan também estava no auge por aqui. Graças a isso, a plateia já se animava e entrava no ritmo do show antes mesmo da banda subir ao palco (com aquela sirene saudosíssima ecoando por todo canto), ao som de Yellowcard, Blink 182, Pitty, My Chemical Romance e Raimundos. Caso você queira relembrar, separamos este vídeo:

Ao passar por Curitiba (o segundo maior show da turnê, com quase 3.000 pagantes) e subir para São Paulo e o Rio de Janeiro (ambas as casas de shows com capacidade máxima esgotadas, fazendo com que a energia dos shows fosse incomparável), o frio de Porto Alegre ficou para trás e deu lugar a temperaturas mais amenas, temperaturas com mais cara de Brasil. Em plena greve dos caminhoneiros (onde voos estavam sendo cancelados aos montes e sem aviso prévios e muitos postos de combustíveis estavam sem gasolina para abastecer os veículos por todo o país), foi uma agradável surpresa que os shows do Simple Plan ficassem tão cheios e que os relatos de problemas de locomoção fossem tão escassos entre banda, produção e fãs que se viajavam de um lado para o outro para acompanhar os shows.

Uberlândia fechou não só o trajeto da banda pelo país como também a turnê de aniversário do primeiro disco dela, que já durava mais de um ano e que, inicialmente, não pretendia ser estendida para todo o mundo. Por sorte, foi! A cidade mineira, que nunca foi parada obrigatória de grandes shows, agora desponta para essa possibilidade. Em entrevista, Pierre Bouvier comentou que é raro tocarem em lugares inéditos depois de tantos anos de carreira, mas é legal que isso tenha acontecido aqui no Brasil. No meio do show, fizeram até mesmo a famosa piadinha (que funciona tanto em inglês quanto em português) sobre Uberlândia ser a terra do Uber!

Acumulando momentos mais que especiais nos cinco shows em que fizeram aqui (como o pedido de casamento de um fã no show de São Paulo, as fotos tiradas com os fãs nos palcos, a entrevista para o The Noite, no SBT e as bolas de praia flutuando pela pista durante One Day) o Simple Plan deixou o Brasil já há meio ano, mais uma vez com a promessa de voltar (promessa, essa, que, até então, cumpriram todas as vezes). Para nós, fãs, sempre fica um apertozinho no coração por não ter a menor ideia de quando será a próxima vez, já que o Brasil não está na rota principal de shows de nenhuma banda residente do hemisfério norte. Mas a certeza de que, mais uma vez, estaremos aqui por eles quando eles estiverem prontos para voltar, supera qualquer melancolia. Se você, assim como nós, acompanha o Simple Plan desde quando sua mãe não te deixava ir aos shows e, em resposta, você enchia as paredes do seu quarto com pôsteres da banda, saiba que é um prazer estarmos no mesmo barco. Agradecemos, durante todos esses anos, a audiência ao Simple Plan Brazil e garantimos que, na próxima turnê, nos encontraremos de novo. Quem mantém a arte viva, é quem a consome. Continuem escutando e falando sobre o Simple Plan por aí!

Por fim, listamos aqui outros vídeos da última passagem do Simple Plan pelo Brasil que achamos pertinentes:

“The Worst Day Ever” ao vivo no Rio de Janeiro, publicado pela Queremos!:

Entrevista para a Queremos! no Rio de Janeiro:

Main Event: o mais novo meet and great estará a venda no Brasil amanhã

A banda anunciou pelos seus perfis oficiais que o Main Event VIP Upgrade, um novo tipo de meet and great, originalmente lançado na Austrália, será também disponibilizado por aqui! Os fãs poderão comprar os ingressos para este encontro com a banda a partir das 16:00hrs de amanhã, 1º de maio, terça-feira. Confira abaixo o que pode ser adquirido na compra desse pacote:

  • Ir ao backstage para um encontro intimista com a banda minutos antes do show e caminhar com eles enquanto eles se preparam para entrar no palco
  • Ficar na lateral do palco (ou em área designada) durante a apresentação do Simple Plan e aproveitar o show dessa perspectiva única.
  • Uma camisa da turnê do Simple Plan
  • Um setlist autografado do show, mais paletas
  • Foto em grupo que será tirada no palco com a banda

ATUALIZAÇÃO: O pacote agora está disponível para compra e custa 215 dólares (U$ 195,00 + U$ 20,00 de taxas) o que corresponde a um total de aproximadamente R$ 750,00. Adquira o seu clicando neste link.

Chuck Comeau convida fãs para shows no Brasil

Assim como foi feito para o show que a banda realizará na Argentina, a Move Concerts Brasil divulgou na noite de ontem a chamada feita por Chuck Comeau onde o baterista do Simple Plan convida os fãs brasileiros para os shows da “No Pads, No Helmets… Just Balls: 15th Anniversary Tour” no país. Assista abaixo: