Simple Plan relembra os anos difíceis do lançamento do “No Pads”

A revista Alternative Press publicou em seu site um ótimo artigo com os membros do Simple Plan sobre os anos que antecederam o sucesso da banda ao redor do mundo com as gravações e lançamento do disco “No Pads, No Helmets… Just Balls”, que acaba de completar 15 anos de lançamento e ganhou uma turnê em comemoração que está acontecendo em alguns países do mundo.

Além de Pierre Bouvier, Chuck Comeau, Jeff Stinco e David Desrosiers, o produtor do álbum, Arnold Lanni, o empresário da banda, Eric Lawrence e o diretor de artistas da Lava Records, Andy Karp, comentam como foram os conflitos iniciais da banda com Arnold durante o processo de gravação do “No Pads”, e de como foi desafiador lançar o Simple Plan como uma banda pop-punk em uma época em que eles eram vistos pelo público como um grupo vendido para a indústria da música.

Confira abaixo o artigo completo traduzido e as declarações que trazem curiosidades muito interessantes sobre os bastidores do que acontecia com o Simple Plan há 15 anos atrás. As fotos do artigo abaixo foram feitas nos bastidores do show da banda em Cleveland por Bryce Hall:

Quinze anos depois que o “No Pads, No Helmets… Just Balls” lançou o Simple Plan do mundo obscuro do pop-punk canadense para o mainstream de sucesso, a banda está passando a maior parte de 2017 na estrada, revisitando o álbum tocando ele na íntegra em cada show.

Antes de ir até a Europa nesse mês e voltar aos Estados Unidos para continuar com a turnê em Agosto, a banda e alguns membros de seu círculo social conversaram com a Alternative Press para relembrar o processo tumultuado que fez com que o “No Pads” tomasse forma. Assim como o guitarrista Jeff Stinco diz, “Existe uma certa tendência em resumir a história e relembrar o que aconteceu de uma forma vitoriosa, e parecer que foi uma coisa unificada. Mas eu acho que é importante lembrar que éramos cinco caras, que viviam situações completamente diferentes entrando em estúdio.” Depois de uma pausa ele completa, “Nós tínhamos que sobreviver.”

Vivendo os piores dias de todos

Jeff Stinco: “O processo por si só foi demorado, o Arnold nos desafiou bastante. Esse disco poderia ter levado, no máximo, dois meses para ser feito; mas levou um ano. Nós estávamos vivendo em quartos tipo de quartéis, dormindo em um quarto sem janelas e com beliches. Nós cozinhávamos para nós mesmos, o que é normal, mas ninguém sabia como cozinhar, então era horrível. Foi um processo cansativo. O Arnold tinha essa visão que era tipo, “Vocês gravam por conta própria, então eu volto, critico e edito,” e foi exatamente dessa forma que ele fazia. Ele nos deixava por dias no estúdio; Eu gravava o disco inteiro, ele voltava e ficava tipo, “É, você poderia ter feito algo melhor do que isso,” e descartava tudo que eu tinha feito. Era frustrante.”

Arnold Lanni: “Pode ser que parecia desse jeito, mas quando eu era músico, eu nunca quis pessoas me julgando. Eu iria querer que o produtor dissesse, “Aqui está a música. Isso aqui é o que eu gostaria que você fizesse. Quanto tempo você precisa? Uma hora e meia? Eu vou voltar em uma hora e meia pois dessa forma não vou estar te julgando enquanto você grava.” Era só uma forma de fazer com que eles alcançassem o que eles queriam alcançar. Se você está mirando em um alvo e você não atinge, eu preciso pelo menos avisar. Em algumas ocasiões, eu iria dizer, “É isso que eu quero que vocês façam. Eu vou esperar na sala ao lado, ou eu volto em três horas depois de vocês terem a chance de trabalhar nisso.” Se não saísse da forma que conversamos antes juntos, eu voltaria e diria, “É, isso é inaceitável.” Nunca foi tratado como algo pessoal; só que ás vezes é difícil explicar para alguém mais novo o que eles não sabe. Como o Jeff é um músico talentoso, eu fazia com que ele fizesse coisas que saíam um pouco da sua zona de conforto – não de uma forma técnica, pois provavelmente não existe nada que o Jeff não possa tocar, pois ele é realmente bom – mas eu fazia coisas que fazia com que ele criasse uma certa tensão e atmosfera com a música. Não sei se, por ele ser tão jovem naquele tempo, entendia isso.”

Pierre Bouvier: “É claro que houveram momentos difíceis. Nós sentíamos que tínhamos uma grande oportunidade e não queríamos estragar pois se você acaba estragando tudo no primeiro disco, você está meio ferrado. Eu acho que o Arnold é um verdadeiro artista, e eu acho que ele estava mentalmente envolvido nessa coisa de “vamos fazer disso o melhor que pudermos”. Nós trabalhamos com Arnold por quase um ano e meio antes de nós termos um contrato assinado, então nós passamos muito tempo juntos e tivemos vários conflitos de opiniões. Ele veio de um mundo diferente do nosso, e ele queria nos empurrar para um universo diferente do que estávamos fazendo. Nós éramos os caras do pop-punk que queriam manter as coisas mais simples. Ele dizia que não havia dinâmica na banda. Nós todos éramos perfeccionistas. Algumas vezes, eu cantava os vocais da música inteira – os vocais principais, a segunda voz, tudo. Eu passava horas e horas e horas enquanto ele estava fora do estúdio fazendo alguma outra coisa. Então ele voltava ás 21h, 22h, escutava, e então falava tipo, “É, eu não sei, não tenho certeza de que está realmente bom; vamos fazer isso de novo amanhã.” e eu ficava tipo, “O que? Eu cantei com todo o meu coração o dia inteiro e não adiantou de nada!””

David Desrosiers: “Foi a minha primeira vez em um estúdio de verdade. Eu estava maravilhado e intimidado pelo processo. A visão do Arnold foi de que o vocalista estava cantando coisas estranhas e de que os guitarristas deveriam usar tipos de acordes diferentes, por outro lado nós só queríamos tocar com tudo.”

Pierre Bouvier: “O Arnold realmente queria que nós fossemos únicos e diferentes, e uma das formas que ele fazia isso era me incentivando a parecer – e aqui eu vou usar uma frase dele – “parecer mais choramingando.” Existiam alguns cantores nos anos 80 que para mim soavam mal, mas ele ficava tipo, “Se esforce no seu lado adolescente, deixe sua voz mais enjoativa,” e eu ficava tipo, “Mas eu não gosto disso!” Hoje em dia quando eu escuto o disco, eu acho que esse disco é o que a minha voz soa mais cansativa e isso realmente me incomoda. Eu acho difícil de escutar.”

David Desrosiers: “O Arnold usava essa analogia: “Agora eu sou o John McEnroe, e vocês não podem me pedir favores.” Nós sempre queríamos responder dizendo, “E se agora você fosse esse excelente jogador de tênis aposentado que está treinando esses jogadores novos?” (Risos). Eu acho que teria funcionado um pouco melhor.”

Arnold Lanni: “Eu concordo com eles de que foi duro. Eu acho que muito disso vem com o fato de que eles eram muito novos e ambiciosos. Eles sabiam quem eles queriam ser; eles estavam bem pessimistas e protetores sobre o que eles queriam fazer. O que todos nós concordamos é que queríamos a mesma coisa: Nós queríamos fazer um disco que tivéssemos orgulho e também queríamos fazer um disco que, com sorte, se destacaria com o tempo. Para fazer isso, o que eu tentei trazer a tona foi, como podemos nos destacar de todos os outros, e essa deve ter sido a coisa mais difícil para os caras entenderem sendo tão novos.”

Andy Karp: “Estávamos lidando com personalidades bem fortes. O Arnold lidera a situação, e ele fala sobre isso. Ele faz com que os vocalistas trabalhem realmente duro. Eu estive presente com uma certa regularidade durante as gravações e eu lembro de me sentir meio que um psicoterapeuta, ás vezes como um diplomata, mas isso faz parte do seu trabalho.”

Pierre Bouvier: “O Arnold estava nos pressionando de verdade ao ponto de ás vezes querermos falar tipo, “Cara, vá para o inferno. Eu acho que já está bom e não sei do que você está reclamando.” (Risos).”

Arnold Lanni: “Eu sempre soube, já que eles eram jovens tão legais e que eles estavam atrás das coisas certas, que não era um concurso de ofensas, era só sobre vencer por querer vencer. Eles só queriam fazer um disco ótimo, e nós só discordávamos um pouco sobre como chegar até nesse ponto. Eu brinco com eles hoje e digo que se voltássemos no tempo e tentássemos fazer o disco hoje, acredito que 90% das coisas que pensávamos serem desafiadoras provavelmente não seriam mais um problema hoje pelo fato de hoje sermos mais velhos. Eu lembro que depois que o disco foi finalizado, nós não conversamos. Nós não nos falamos por um tempo e não era nada pessoal; mas era só pelo fato de eles terem sido desafiados. Eu dou um salve de palmas para eles pois eles nunca desistiram, eles nunca desistiram mesmo. Eu sou bem conhecido por tentar tirar o melhor das pessoas, mas eu nunca pedi para eles fazerem algo que não poderiam fazer. Eu olho para tás, e já fazem 15 anos que esse disco se mantém por si só. Melodicamente é uma obra-prima. As músicas são incríveis e isso só acontece por haver muita resistência.”

Pierre Bouvier: “Não existe certo ou errado e eu acho que para caras tão novos que acabaram de ter um contrato assinado, eu acho que sabíamos do que precisávamos e que ele sabia do que nós precisávamos e essas coisas nem sempre eram as mesmas. No final das contas, eu acho que nosso disco foi ótimo. Nossa relação com o Arnold foi testada de diversas formas durante esse disco, e no tempo em que ele foi feito, eu diria que nós realmente precisávamos de um tempo um dos outros. Provavelmente algumas palavras ruins foram trocadas sobre o que achávamos um dos outros, mas o que é ótimo depois de todos esse tempo, é que nossa relação com o Arnold se tornou melhor e mais sólida e que percebemos todas as coisas boas que ele trouxe para o disco. Isso diz muito hoje, nós somos grandes amigos. Nós só precisamos de um tempo depois disso para tomar fôlego. Foi um período bem intenso.”

Só crianças, sabendo que não era justo

Depois de todo o tumulto, o “No Pads, No Helmets… Just Balls” finalmente foi lançado em 19 de Março de 2002. Inicialmente a banda queria que “Addicted” fosse o primeiro single, mas uma oportunidade de um filme surgiu e “I’m Just A Kid” foi quem abriu as portas do Simple Plan. Depois de ir um pouco mal das pernas, o disco finalmente deslanchou, vendendo eventualmente mais de 3 milhões de cópias no mundo inteiro. Imersos na geração da MTV, a banda começou a sentir o sopro do sucesso, com fãs os acusando de serem vendidos, além de outras coisas durante a Warped Tour. “Eu adiantei para eles que haveriam críticas,” explicou Andy Karp. “Eu também já imaginava que essa poderia ser a primeira banda pop-punk popular. Eles eram bonitos e podiam cantar bem com suas músicas. Mas é difícil para o público americano aceitar uma banda como eles como uma banda punk. Eu acho que foi um pouco injusto,” adiciona o representante deles. “Pois eles realmente tinham feito a parte deles e na época que eles se apresentaram na Warped Tour, eu acredito que muitas bandas respeitavam eles.”

Jeff Stinco: “Para nós, tocar na Warped Tour foi uma conquista por si só. Definitivamente foi uma turnê difícil, mas importante. Você sai de dois anos de shows de merda, sem muito sucesso, e então você está na Warped Tour. O Simple Plan era visto como uma banda alternativa, e então você estava na MTV. Agora os fãs vão até os shows e dizem que você se vendeu. Cara, é a mesma porra de música. É o mesmo disco. Nós tocamos o mesmo disco por três anos! Você está dizendo que nos vendemos? Você devia ver o meu apartamento em Montreal – nós não nos vendemos porra nenhuma!”

Chuck Comeau: “Nós fomos lançados assim que o pop-punk começou a explodir. Houveram muitas resistências naquele tempo com todas essas bandas. Na mente das pessoas, nós provavelmente éramos os piores exemplos dessa cena, meio que um punk de shopping. Haviam jovens que curtiam mais as bandas mais pesadas, as bandas mais punk-rock da Warped Tour, que foram bem ofensivas com o nosso som, álbum e banda. Eu acho que lidamos com isso de formas diferentes.”

Jeff Stinco: “Eu costumava discutir com os fãs de punk-rock depois dos shows e tentava fazer com que eles entendessem que o que eles estavam dizendo era realmente ofensivo e não fazia sentido nenhum. Eu conversava com várias pessoas depois dos shows. Se eles jogavam garrafas em nós, eu pulava na platéia e começava a discutir com eles, fazia sentido para alguns deles. Eu levava as críticas muito a sério.”

Chuck Comeau: “Naquele tempo, toda essa coisa de ser vendido era um tabu. Pra mim é incrível ver como isso mudou em 15 anos. Agora você é mensurado em quão popular você é e quantos seguidores você tem e quão grande você é. Quando fomos lançados, era completamente o oposto. Você não poderia querer ser grande, popular e famoso. Você deveria ficar feliz em ser uma banda pequena e underground, e nós nunca realmente nos sentimos assim. Nós sempre sentimos que queríamos alcançar as pessoas, nós queríamos tocar para várias pessoas. Eu acho que algumas críticas eram injustas. Nós só seguimos os nossos corações e fizemos aquilo que acreditamos.”

Pierre Bouvier: “Eu acho que existe um certo estigma com essa banda e eu nunca tive muita certeza do motivo. Uma vez que você atinge o sucesso e está na frente de pessoas que não necessariamente são seus fãs, isso sempre pode causar um pouco de problema. Eu também acho que o Simple Plan sempre esteve mais no lado pop do pop-punk – não muito pesado, não muito agressivo. Por algum motivo, o gênero da cena pop-punk da Warped Tour é bem interessante; é um animal interessante, tanto se você faz ou não parte dele. E isso seguiu a banda durante nossa carreira. Alguns dos fãs da Warped Tour não querem gostar de nós. É bem bizarro pois se trata apenas de música e ás vezes parece que estamos em uma briga de colegial.”

Eric Lawrence: “Foi meio consciente. Os Estados Unidos é um dos países mais fragmentados do planeta quando se fala sobre gêneros musicais. Na América, uma gravadora vai escolher o caminho, mas em outras partes do mundo, a música não funciona dessa forma. Alguns anos depois desse disco, o Simple Plan abriu para o Metallica na África do Sul, e ninguém reclamou disso. Se você tentar fazer isso nos Estados Unidos, o Simple Plan provavelmente seria literalmente assassinado. Sabendo que queríamos alcançar o resto do mundo, nós queríamos que o resto do mundo nos visse como uma banda pop e não uma banda punk. Então fomos direto para as rádios pop ao invés de irmos para as de som alternativo. Houve um certo medo a princípio quanto a credibilidade – se não formos para as rádios alternativas, eles vão aceitar bem? – mas o grande medo era se eles ficassem só nas rádios alternativas, como levaríamos essa banda ao redor do mundo? Nós fizemos isso de forma sábia. Nós falamos com todo mundo sobre isso, inclusive com a banda. Nós começamos pelas rádios pop e isso nunca tinha sido feito antes por uma gravadora de rock da América. Nós sabíamos que isso poderia nos levar a alguns problemas: E um desses problemas é você se apresentar na Warped Tour e as pessoas jogarem garrafas em você por acharem que você é uma banda pop.”

Eu faria de tudo… e fiz

Sobrevivendo a esses problemas, 15 anos depois, a banda e os envolvidos no disco possuem bons sentimentos em relação aos tempos do “No Pads”. “Nós lançamos um disco pelo qual realmente nos importávamos,” diz Comeau. “Não foi uma tentativa de lançar algo que que odiávamos só para ganhar dinheiro. Foi realmente um reflexo do nosso gosto e do que amávamos.”

Chuck Comeau e Sebastien Lefebvre no Assises 2017

Na tarde de hoje Chuck Comeau e Sebastien Lefebvre marcaram presença no Assies 2017 para se pronunciarem ao lado do prefeito Denis Coderre sobre o programa “Municipal Plan for Empolyment”, que oferece empregos para os jovens em uma parceria da Simple Plan Foundation com o Union des Municipalités du Québec.

Além de Chuck e Seb, o pai do baterista, André Comeau, que é um dos idealizadores do projeto, também esteve presente durante o evento, que ainda trouxe uma mensagem em vídeo gravada pelos outros membros da banda.

Confira abaixo um vídeo de Chuck Comeau e seu pai sendo entrevistados para o Union des Municipalités du Québec, e, em seguida, clique nas miniaturas para acessar as primeiras fotos da cerimônia em nossa Galeria.

Chuck Comeau conversa com a Kiss FM

O baterista do Simple Plan, Chuck Comeau, participou de uma entrevista com a KiSS 99.3 de Timmins, em Ontario, onde ele falou sobre a banda permanecer com os cinco membros desde a sua formação inicial e as expectativas em tocar no festival Stars and Thunder.

Ouça abaixo a entrevista que foi gravada durante os bastidores da “No Pads, No Helmets… Just Balls: 15th Anniversary Tour” e foi ao ar na manhã de hoje:

Sebastien fala sobre rótulo pop-punk e ataques terroristas

O guitarrista do Simple Plan, Sebastien Lefebvre, realizou uma entrevista com o site alemão Stage Load para divulgar a etapa européia da “No Pads, No Helmets… Just Balls: 15th Anniversary Tour”.

Entre os tópicos abordados ele fala sobre como lida com o rótulo de banda pop-punk, como eles encaram os ataques terroristas na Europa e a falta de bandas de rock nas rádios norte-americanas. Leia a entrevista traduzida abaixo:

Recentemente o seu disco de estréia “No Pads, No Helmets… Just Balls” completou 15 anos. Você conseguiu perceber que tanto tempo passou desde o lançamento?
Realmente faz muito tempo, mas de forma alguma parece que tenha sido tudo isso. Nós amamos o que fazemos. Ficamos muito felizes quando estamos em turnê e ainda precisamos lançar muitos outros discos – só temos cinco. Se não estivéssemos nessa turnê de comemoração agora, eu não teria percebido que o disco era tão antigo. Não parece que são 15 anos.

Vocês começaram em 1999, mas desde então não houve nenhuma mudança na formação da banda. Nos últimos 18 anos, em algum momento vocês pensaram em parar?
Provavelmente todos nós já pensamos, mas nós também sabemos que essa banda é mais importante que nós mesmos. Nós sempre colocamos a banda na frente de tudo e tentamos manter nossa vida privada – inclusive em respeito aos fãs. Nos mantermos juntos não é tão difícil. Na verdade, o que é realmente difícil é se manter relevante e continuar escrevendo músicas boas. Nós temos sorte de termos um sucesso moderado durante todo o tempo, então sempre estivemos motivados e ninguém saiu da banda e voltou para a escola.

Você acabou de mencionar que o que é mais difícil é se manter relevante. Deve ter sido ainda mais difícil para vocês pois vocês sempre foram perseguidos por fazerem músicas para adolescentes, apesar de todos estarem na casa dos 30. Você leva isso pelo lado pessoal?
É engraçado você falar sobre isso. Você não é a primeira pessoa da Alemanha a falar isso. Parece que é um grande problema por aí (risos). Eu acredito que quando começamos éramos comparados com o Blink-182 e o Good Charlotte – e nós temos orgulho disso! No começo dos anos 2000 todas essas bandas legais de rock com músicas ótimas e cheias de energia eram a resposta para as bandas de pop, boy bands e giril bands e foi ótimo fazer parte disso.

Com nosso primeiro disco nós nos dedicamos a temas bem conhecidos, o que naquele tempo claro que tinha ligação com a adolescência. Eu tinha acabado de fazer 18 anos quando começamos a banda! A música permaneceu a mesma, mas ao mesmo tempo as coisas que falamos foram evoluindo. Antes falávamos sobre como é estar em um relacionamento, então falamos sobre como é se apaixonar. Mas é incrível que muito de nossos fãs nos acompanham há tantos anos. Que eles cresceram conosco e ainda nos ouvem. Isso é algo que poucas bandas podem experienciar.

Se fossemos falar sobre o seu estilo musical: você descreveria sua música como rock ou punk rock? Como você se sente com o rótulo “pop-punk”?
Eu não tenho problema nenhum com isso. Quando começamos com o punk rock, nós já tínhamos uma atitude meio pop, o que meio que fortaleceu isso. Nós também fomos influenciados por bandas que já estavam na estrada, especialmente essas bandas de punk rock dos anos 90 como NOFX, The Offspring e Bad Religion. Eu acho que é mais sobre ter a atitude do que um rótulo. Eu não acho que temos uma mensagem propriamente dita pois temos uma influência cada vez maior pela música do que por outras coisas. “Pop-punk” também é relacionado pela melodia e música, o que é legal, o que é importante para nós. Nós queremos escrever músicas que façam com que as pessoas cantem conosco!

Então você não é como o Billy Joe Armstrong do Green Day que disse uns meses atrás que ele gostaria de acabar de uma vez por todas com o rótulo “pop-punk” em 2017?
Não, de forma alguma! Nós não queremos depredar nada, nem destruir nada ou odiar alguma coisa. Se você gosta da nossa música ou do pop-punk no geral, isso é bom, mas se você não gostar de nós, também não tem problema. Nós acreditamos no que somos – não importa o que os outros pensem sobre isso!

No final de Maio vocês voltaram para a Europa com a turnê de comemoração do “No Pads, No Helmets… Just Balls”. Vocês param pra pensar nos últimos acontecimentos como os ataques terrorista em Paris, Bruxelas e Berlin? Vocês realmente querem tocar nessas cidades?
Sim, e logo, pois todos nós queremos. Nunca foi mais importante mostrar que apoiamos algo ao nos reunirmos, ter um bom momento e esquecer os problemas por algumas horas. Nós somos quem nós somos e nós fazemos o que queremos fazer. E essa declaração de amor da música é extremamente importante nos dias de hoje!

Falando em momentos difíceis: Alguns membros do Simple Plan moram nos EUA. Desde a posse de Trumps como presidente, voltar para o Canadá foi levado em consideração?
Honestamente eu acho que não. Para muitas pessoas isso é um problema realmente grave, mas nós tentamos nos manter fora da política. Eu moro no Canadá e eu estou bem assim. Entretanto, os que moram nos EUA parecem estar igualmente felizes. Eu acho que nem sempre você precisa querer mudar o mundo inteiro, mas talvez começar a se tornar uma melhor pessoa. Educar seus filhos de forma consciente, ficar cercado de amigos que devem ser apreciados, e sempre fazer o seu melhor.

Além do Simple Plan você também está envolvido em outros projetos, como um programa de rádio semanal. Uma vez você disse que as rádios mal tocam rock – você pensa em parar com o seu programa?
Isso é verdade, não tocam mais rock. Mas não é que as pessoas não queiram ouvir, mas hoje em dia não estão tocando nas rádios. Nos anos 90 não era tanto assim, já que tocavam muitas bandas de rock, no começo dos anos 2000 houve um crescimento e substituição por bandas de pop como os Backstreet Boys ou Spice Girls. Isso sempre está mudando, e com o meu programa eu gostaria de fazer com que os ouvintes escutassem bandas não tão conhecidas pois elas não são muito tocadas. É claro que a cena pop-punk não tem tanto destaque como tinha antes, mas ainda está lá – não tem nada haver com o mainstream. Você tem sorte de estar na Alemanha onde vocês não somente tem bandas de rock, mas eles também tocam esse estilo nas rádios. Na América do Norte existem bandas o suficiente, mas geralmente elas não atingem essa plataforma. Eu fico feliz quando consigo atingir as pessoas com músicas que eu gosto de ouvir.

Entrevista rara com o Simple Plan no Brasil em 2008

Durante o ano de 2008 o Simple Plan esteve no Brasil para divulgar o terceiro disco de estúdio da banda e realizar entrevistas com a imprensa. Uma das entrevistas para o Nickelodeon não havia sido publicada na internet até então.

Durante a entrevista podemos ver imagens de Pierre Bouvier e David Desrosiers no terraço do hotel onde a banda estava hospedada além de um trecho de Bouvier cantando uma versão A capella de “Perfect”. Assista abaixo:

Q104 entrevista Simple Plan em Cleveland

Durante os bastidores do show do Simple Plan em Cleveland na House of Blues, Pierre Bouvier, Chuck Comeau e Jeff Stinco receberam os apresentadores da Q104 FM, Jeremiah e Jeff para uma entrevista.

Na entrevista Jeremiah e Jeff fazem um jogo onde fazem perguntas para Pierre e ele deve acertar o nome de uma celebridade que os outros convidados falaram. O escolhido foi o ator Mark Wahlberg, que é conhecido por ter uma semelhança física com Bouvier.

Assista ao trecho da entrevista abaixo e, em seguida, clique nas miniaturas para acessar as fotos em nossa Galeria:

Jeff Stinco fala sobre colaborações com Mark, Joel e críticas do Sum 41

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O Jeff Stinco realizou uma entrevista com o STL Today onde ele citou o que fez o Simple Plan perceber que a banda poderia dar certo, como as colaborações com Mark Hoppus e Joel Madden e até mesmo as críticas do Sum 41. Confira a tradução da matéria abaixo:

No ano passado a banda pop-punk Simple Plan percebeu que eles estavam próximos de uma realização: os 15 anos de lançamento do disco “No Pads, No Helmets… Just Balls” de 2002 estava chegando.

A banda sentiu que era necessário fazer da ocasião um marco. Uma turnê de comemoração que será apresentada em Peageat na sexta-feira. O disco, que vendeu mais de 2 milhões de cópias, inclui os singles “I’d Do Anything”, “I’m Just A Kid” e “Addicted”.

“Eu mal podia acreditar que já faziam 15 anos,” diz o guitarrista Jeff Stinco. “Quando o pessoal começou a falar sobre isso, sentimos que não tínhamos dando tanta atenção a esse disco ao longo dos anos. Tudo passou tão rápido que sentimos que precisávamos fazer algo em relação a isso.”

Alguns shows para comemorar esse disco se tornaram mais outros, e não muito tempo depois, se transformou em uma turnê.

Stinco diz que os membros da banda eram meio amadores no processo do “No Pads, No Helmets… Just Balls”. Eram só cinco caras que se conheceram no colegial praticando no porão da casa dos pais de Chuck Comeau.

A banda também inclui Pierre Bouvier, Sebastien Lefebvre e David Desrosiers.

“Nós ficávamos assistindo vídeos de bandas enquanto ensaiávamos as músicas, sonhando em fazer shows ao redor do mundo e termos um contrato e uma carreira como aqueles que assistíamos na TV,” diz Stinco.

Mas enquanto sonhavam em se tornarem os próximos Blink-182 ou Offspring, ele diz que a banda não fazia ideia de como conseguiriam chegar nesse ponto. “Nós achamos que se escrevêssemos músicas boas e trabalhássemos em nossos shows também seria algo que poderíamos alcançar.”

O processo de gravação do disco não foi nada parecido como algo que a banda já tinha vivenciado. O disco levou um ano para ser feito, e a banda vivia no estúdio, dormindo em beliches.

“Havia muita tensão,” diz Stinco. “E nós éramos tão rígidos em cada ideia que tínhamos, cada assunto. O processo foi tedioso, longo e nem um pouco fluído.”

Eventualmente a banda conheceu o produtor Arnold Lanni, que tomou conta das coisas. “Ele nos colocou de baixo de suas asas e meio que nos estruturou, nos ajudou a fazer algo interessante das músicas que tínhamos.” diz Stinco. “As músicas eram boas, mas nós perdemos muito tempo nelas, e as músicas precisavam ser polidas.”

O álbum contou com duas colaborações: as participações de Mark Hoppus do Blink-182 em “I’d Do Anything” e de Joel Madden do Good Charlotte em “You Don’t Mean Anything”. As duas participações eram importantes para a banda.

“Mark era o maior artista pop-punk naquela época. Ele disse que “I’d Do Anything” era fantástica, e que ele amaria participar dela. Nós achamos que tínhamos conquista o que era preciso, ter ele cantando em nosso disco e aparecendo no clipe. Isso abriu algumas portas. Não sei se a MTV estaria aberta a nós se ele não estivesse nos apoiando,” diz Stinco.

Madden foi outra grande conquista para a banda. O Simple Plan ia aos shows do Good Charlotte, e ele fizeram algumas turnês da Warped Tour juntos. “Foi muito legal quando o Joel aceitou cantar no disco. Isso trouxe um aviso para a banda. Naqueles tempos não existia Instagram e Facebook e Twitter. A palavra era extremamente importante.”

Assim que o disco foi finalizado, a banda não sabia o que esperar, mas o retorno foi bem positivo. Stinco diz que outro sinal positivo foi quando a banda rival, Sum 41, falou mal sobre o Simple Plan na TV. “Nós achamos que era um bom sinal,” ele diz. “Isso fez dar pistas de que algo estava acontecendo.”

Ele diz que finalmente era um disco interessante com elementos peculiares – e também um disco com “realmente horríveis, muito ruins, que você pode chamar de encheção de linguiça. Mas elas ainda são boas ao vivo, e foi uma ótima imagem para nós naquela época.”

A ideia de uma turnê de comemoração surgiu enquanto a banda estava em turnê com o disco mais recente, “Taking One for the Team”. Eles acharam que seria legal começar a turnê no dia 19 de Março, exatamente na comemoração dos 15 anos do início da banda. Eles continuarão com nossos shows tradicionais durante os festivais. “Nós vamos fazer um malabarismo entre dois sets,” diz Stinco.

O novo disco conta com “I Don’t Wanna Go to Bed”. com a participação de Nelly. O Simple Plan se lembra de quando cruzaram caminhos com o Nelly durante os tempos do Total Request Live da MTV, e a banda sempre gostou dele como artista.

“Ele é um cara do entretenimento – memorável,” diz Stinco sobre Nelly que é nativo de St. Louis. “Quando fizemos uma lista de artistas com os quais gostaríamos de trabalhar, o Nelly estava no topo dela. Ele faz rap, canta, ele faz harmonias, e tudo se encaixou com o que estávamos fazendo.”

Entretanto ele diz que a banda inicialmente ficou surpresa de como ele estava despreparado, mas no fim das contas isso não importou.

“Ele começou a improvisar algumas linhas e a escrever. É meio que parte da natureza dele. Ele construiu sua parte no estúdio. A contribuição dele fez da música bem melhor, e foi legal ver uma abordagem diferente na construção de uma música.”

Chuck Comeau e David Desrosiers falam sobre Warped Rewind at Sea

Durante os bastidores do show do Simple Plan em Atlanta no The Masquerade, Chuck Comeau e David Desrosiers realizaram uma entrevista para falar sobre as expectativas em tocar na Warped Rewind at Sea, quais bandas eles estão mais ansiosos em ver e se planjam alguma fantasia para o Halloween. Assista abaixo:

Jeff fala sobre vontade de gravar o próximo álbum em 2017

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Em uma nova entrevista ao Daily Tribune, o guitarrista Jeff Stinco falou sobre o que a banda tem achado da “No Pads, No Helmets… Just Balls: 15th Anniversary Tour”, as brigas em estúdio durante as gravações do primeiro álbum e a vontade de começar a gravar para o próximo disco do Simple Plan ainda esse ano. Leia a tradução completa abaixo:

Há 15 anos atrás a banda de Montreal, Simple Plan se apresentou para o mundo com o álbum de nome provocativo, “No Pads, No Helmets… Just Balls” – um disco de punk-pop energético que conquistou o certificado de platina duplo e lançou hits como “Perfect”, “I’d Do Anything” e “I’m Just A Kid”.

Essa estréia favorável levou o quinteto a um caminho que inclui outros quatro discos de estúdio e uma ética de trabalho duro que mantem o grupo nos palcos de clubes e arenas até a Vans Warped Tour. O último disco do Simple Plan, “Taking One for the Team”, foi lançado no ano passado, mas 2017 tem sido um ano para viver no passado enquanto o grupo comemora o “No Pads” com uma turnê tocando o disco completo todas as noites.

De acordo com o guitarrista, Jeff Stinco, a resposta para a performance do “No Pads” pegou o Simple Plan de surpresa. “Na verdade tem sido espetacular,” disse Stinco por telefone de Nova Jersey. “No começo eu vi essa turnê como qualquer uma; para mim o desafio era re-aprender e revisitar essas músicas antigas. Então, de repente, nós começamos a turnê e todas essas pessoas vinham nos dizer que esse álbum teve um grande impacto em suas vidas, e o quanto isso é verdade. Nós vemos pessoas que eram adolescentes quando o disco saiu e que agora são adultos com filhos. Tenho que dizer que é um momento introspectivo, voltar no tempo tem sido muito louco.”

Para Stinco e seus amigos de banda, o “No Pads” agora é como “um álbum básico.”

“Nós passamos tanto tempo pensando nos detalhes pequenos que eu acho que hoje não fazem mais diferença. Os arranjos são assimétricos durante todo o álbum, meio que vários sons peculiares e partes que são complexas de reproduzir ao vivo mas que não fazem diferença nenhuma nas músicas. E todas as brigas em estúdio para vir com essas ideias não seriam necessárias. Eu acho que hoje eu vejo que são músicas ótimas que eram ótimas quando elas eram só dedilhadas em um violão ou no piano. Elas eram músicas ótimas e tinham um poder duradouro.”

Stinco adiciona que ele não está brincando quando fala sobre as brigas em estúdio, “É engraçado o quanto de stress que colocamos em nós mesmos,” ele diz. “Esse disco levou quase um ano para ficar pronto. O processo inteiro definitivamente foi memorável da pior maneira. Nós vivemos em estúdio em Toronto, dormimos em beliches em um quarto sem janelas e nós brigamos muito uns com os outros e com o produtor, que ficava tipo, ‘Pessoal, vamos acabar logo com isso!’ Foi uma batalha terminar esse disco, mas essa é a forma que aconteceu e provavelmente deve ter algo haver com seu sucesso.”

Ter o “No Pads” alcançando os 15 anos tem sido energizante para o Simple Plan. “Claro, existe um sentimento poderoso,” diz Stinco. “Quando você passa dos 15 anos você sente que provavelmente consegue lidar com mais 15. É louco como o tempo voa e como tudo passa rápido. Mas tem sido 15 anos de diversão. Nós tivemos nossos desafios e tudo mais, mas tem sido bons momentos.”

O Simple Plan está pensando em estender a turnê do “No Pads” durante todo ano de 2017, mas Stinco diz que o grupo já está pensando nos planos para o próximo disco. “Nós estamos falando sobre isso,” confirma. “Nós esperamos entrar em estúdio no final do ano. O problema é que com a turnê é muito intenso e escrever na estrada é algo que não somos muito bons. No final da turnê original do “No Pads”, nós tínhamos um outro ônibus, o ônibus de estúdio; O objetivo era escrever músicas e gravá-las, mas ele acabou se tornando o ônibus das festas. Nada foi gravado e custou muito dinheiro. Nós aprendemos muito com essa experiência.”

Jeff Stinco fala sobre o início da carreira do Simple Plan

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Em uma entrevista realizada para o Novinky.cz, o guitarrista Jeff Stinco relembrou o início da carreira do Simple Plan, como eles identificaram qual o verdadeiro caminho a seguir na música, como eles lidam agora em que a maioria deles são pais, entre outros. Confira abaixo a tradução completa:

Quais lembranças a comemoração de 15 anos da sua estréia te traz?
São muitas, começando pelo início da banda. Eramos só cinco garotos jovens, praticando no porão da casa do nosso baterista. Nós viajávamos para os shows meio que em uma van de ambulância. Gravamos o primeiro disco em Toronto, que era bem longe da nossa cidade. Nós trabalhamos nisso por quase um ano. Vivemos juntos em um quarto sem janelas. Naquele tempo não tínhamos ideia de como nossa banda sairia e graças a isso nossa vida mudou completamente. Nossa história é um conto de fadas de cinco amigos, que decidiram viver os seus sonhos, criar e viajar juntos. E o fato de que tudo funcionou é algo incrível e temos muito orgulho de ainda sermos os cinco membros originais.

De volta em Toronto – foi a primeira vez que você ficou fora de casa por tanto tempo?
Nosso baterista Chuck e o vocalista Pierre tinham algumas experiências com a banda deles, Reset e estavam acostumados a viajar. Para mim foi uma experiência nova. Eu já morava sozinho no meu próprio apartamento mas foi a primeira vez que eu sai de Montreal para trabalho. Foi bem intenso. Agora quando tocamos as músicas antigas me lembra da paixão que tínhamos quando começamos. Era muito louco. Queríamos que cada detalhe fosse perfeito para o nosso primeiro disco.

O seu primeiro disco trouxe uma fama instantânea?
De forma alguma. Quando ele foi lançado, foi bem desanimador. Levou um tempo até que as pessoas começaram a nos dar certa atenção. Eu lembro que lançamos o nosso disco no dia 19 de Março de 2002. Eu lembro de ficar esperando para ver ele em todos os lugares e ver os nossos pôsteres pendurados pois tínhamos a gravadora nos apoiando. Mas a verdade é que não foi nada desse jeito. Levou um tempo até para que o álbum começasse a aparecer nas lojas. Eu acho que tudo começou a acontecer uns dois anos depois. Até então nós fizemos tantos shows que não tínhamos tempo para mais nada. O bom disso é que deu tempo de aprimorarmos nossa performance antes que algo grande acontecesse.

Quais foram os maiores obstáculos que vocês tiveram que presenciar?
Nós fomos lançados logo depois do The Offspring e do Green Day. As pessoas achavam que esse tipo de som já estava saturado antes mesmo de nos darem uma chance. Os críticos não eram muito bons conosco. Nossos discos não eram bem comentados. Os amantes da música estavam a procura de algo além. Eles estavam interessados em um estilo musical mais obscuro.

Vocês já tentaram se encaixar mais na moda e fazer com que os críticos gostassem de vocês?
Não, pois nós sempre soubemos exatamente o que queríamos – que queríamos fazer um tipo de som parecido com o que nos moldou e que amamos. Mas claro que nós tentamos evoluir. Por exemplo no terceiro disco nós queríamos experimentar coisas novas, o cenário musical estava mudando muito, então queríamos tentar alguns elementos novos. Não por querermos que os críticos gostassem de nós mas por nós mesmos. Mas eu acho que nós exageramos um pouco. Nós adicionamos muito som eletrônico em nossa música e não ficou bom para quem nós éramos e para o tipo de música que tocamos. Mas é normal tentar encontrar quem você é. Hoje nós conhecemos nosso legado e do que consiste o nosso DNA.

Ainda assim vocês ainda tiveram uma certa dificuldade para terminar o último disco “Taking One for the Team”. O que aconteceu?
Foi parte da nossa pressão interior em fazer o melhor disco que poderíamos. Nós tentamos várias coisas mas nem todas eram boas o suficiente. Dessa vez nós tinhamos material demais. Nós passamos muito tempo em estúdio e esquecemos que não precisávamos mudar tudo ou nos reinventar. Eventualmente nós percebemos que só queríamos nos focar nas coisas em que somos bons. E então gravamos a maior parte do disco em pouco tempo. Então levamos um pouco mais de tempo para observar o álbum de longe. E então percebemos que a sonoridade não era boa o suficiente para o Simple Plan. Então voltamos para o estúdio para consertar isso.

Você citou que desde que a banda começou a formação é dos mesmos 5 membros. Isso não é muito comum na indústria da música. Tem sido difícil manter a banda unida ao longo dos anos?
É sempre um desafio. Então é importante encontrar formas de consertar as rachaduras. Mesmo sendo melhores amigos, é normal que ás vezes tenhamos ideias diferentes sobre onde devemos ir. Ás vezes é um pouco difícil, então é importante se comunicar bem. Levou um tempo para termos maturidade o suficiente e ouvirmos uns aos outros. Antigamente nós brigávamos por coisas muito idiotas.

Hpje a maioria dos membros são pais. No que isso influencia a banda?
Eu fui o primeiro a ter filhos então eu fico feliz de ver que o resto dos membros entendem o que eu estava passando. Nós tentamos fazer shows o máximo possível para então passarmos um tempo com a nossa família. Nós somos mais eficazes agora e escolhemos melhor onde e quando entrar em turnê. Eu fico feliz em poder passar mais tempo com minhas crianças. Somente o nosso baixista David é solteiro, então ele quer fazer mais shows. Ele tem a vantagem de poder fazer o que quiser e viver em qualquer lugar. Mas ele respeita nossa situação.

Em Praga vocês irão se apresentar no festival Aerodrome junto com o Linkin Park, Enter Shikari, Royal Republic e Mallory Knox. Quais dessas bandas é mais próximas de vocês?
Nós crescemos ouvindo o Linkin Park. Eu não diria que somos amigos mas nos conhecemos e sempre fico feliz em vê-los. Nós nos respeitamos muito. Eu também tenho que dizer que estou bem ansioso em voltar para Praga, nós temos fãs incríveis na República Theca. Eu acho que devemos isso grande parte a uma garota chamada Dominika que faz um fã-site sobre a nossa banda que até eu visito quando preciso saber o que está acontecendo com a banda. Ela sabe mais sobre o Simple Plan do que eu mesmo. Eu realmente acho que ela é responsável por como o Simple Plan está indo na República Tcheca. Ela é uma pessoa muito apaixonada por música e eu acredito em pessoas apaixonadas.

Outra paixão sua é pela comida, não é?
Sim, e não só isso. Eu acho que sou uma pessoa bem apaixonada. Eu amo esquiar. Eu amo comida. Eu sempre quis ter meu próprio restaurante. E cinco anos atrás eu abri uma pizzaria pequena em Montreal, que é muito bem sucedida. Ela sempre está lotada de gente, o que me dá muito orgulho. Eu também amo tocar música clássica na guitarra. Mas o Simple Plan é a coisa mais importante para mim além da minha família, que é muito mais importante.

Créditos: SPCZ