Chuck Comeau fala sobre músicas do início da carreira

Em uma das entrevistas realizadas para divulgar a vinda do Simple Plan ao Brasil no próximo mês, Chuck Comeau conversou com o portal Vírgula, onde teve a chance de contar um pouco sobre como foram os primeiros anos da carreira da banda durante o processo criativo do “No Pads”. Confira abaixo:

Se você nasceu nos anos 90, provavelmente escreveu “sorry, I can’t be perfect” em algum lugar durante a sua adolescência. No seu caderno ou no seu perfil do orkut, tanto faz. Não adianta tentar negar. Agora, quer se sentir velho? O álbum deste hino do adolescente incompreendido, “No Pads, No Helmets… Just Balls”, do Simple Plan, completou 15 anos em 2017. E em maio, a banda canadense chega ao Brasil com a turnê para comemorar a data — serão cinco shows no país, que mantém uma das bases de fãs mais fiéis do grupo.

Há quinze anos, os cinco integrantes da banda estavam com seus vinte e poucos anos e completamente imersos na gravação do álbum, conforme relembra Chuck Comeau, baterista da banda, em entrevista exclusiva ao Virgula: “Não tinha mais nada acontecendo na nossa vida. Não tínhamos esposas, namoradas sérias, filhos. Estávamos totalmente focados na música. Nós dormíamos no estúdio, acordávamos no estúdio”, ele contou.

A sonoridade da banda nunca foi, propriamente, o emocore, embora eles tenham acabado sendo eleitos como um dos ícones do movimento, provavelmente graças ao cabelo ostentado pelo baixista David Desrosiers durante o período do segundo álbum do grupo, “Still Not Getting Any”. Nada dos gritos típicos de músicas emos por parte do vocalista Pierre Bouvier. O som do primeiro álbum é o típico pop punk, herdeiro direto de bandas como MxPx, Green Day e blink-182 — que, aliás, estava presente em No Pads: Mark Hoppus participa da faixa “I’d Do Anything”, um dos singles do disco.

“Eu fiquei honrado”, diz Chuck sobre a participação do americano. O baterista contou que tinha conhecido Hoppus por conta de shows em festivais do qual ele havia participado no fim dos anos 1990, ainda com o Reset, banda que ele e Pierre Bouvier fundaram na época do colégio. “Ele ajudou muito a nossa banda”, disse Chuck sobre Mark Hoppus. “Ele nos expôs pra um monte de gente. Até hoje eu sou grato a ele por isso”.

A relação conturbada de um filho adolescente com seus pais, história contada em “Perfect” em tom melancólico, se repete por todo o álbum: “não espere me encontrar dormindo na minha cama, porque quando você acordar eu não estarei lá”, em I Won’t Be There; “às vezes essa casa parece uma prisão que eu não consigo deixar pra trás”, em One Day; ou “talvez eu não seja bom o suficiente pra você, ou talvez eu apenas não queira ser como você”, em You Don’t Mean Anything. Mas agora, quinze anos depois, eles estão casados e se encontram na posição inversa. Em 2018, os caras dos Simple Plan são os pais. “É interessante que, quando você tem filhos, você vê que não é fácil”, admite Chuck. “Todas as coisas incríveis e o amor que recebemos dos nossos pais, a gente percebe o trabalho que eles tiveram”.

“Mas a gente tinha 20 e poucos anos e aquela era a nossa perspectiva”, ele explica. “Aquilo era exatamente o que nós estávamos passando. Eu queria largar a faculdade de direito e fazer música. E muitas pessoas, no mundo inteiro, se conectaram e se relacionaram com a nossa experiência. E isso vai acontecer de novo com uma nova próxima geração. Quando eu toco aquelas músicas agora, eu tenho uma nova perspectiva, mas sou grato que as pessoas ainda curtem. Aquilo ainda significa muito para elas e para mim”.