Chuck Comeau fala sobre turnê do “No Pads” e planos para o 6º disco

A ida do Simple Plan com a “No Pads, No Helmets… Just Balls: 15th Anniversary Tour” para a Austrália está se aproximando e, com isso, o baterista Chuck Comeau bateu um papo com o site Music Feeds para divulgar os próximos shows da banda.

Durante a entrevista Comeau fala sobre a dificuldade que o Simple Plan teve para ser introduzido no mercado fonográfico australiano, como ele e seus companheiros de banda encaram o fato de estarem fazendo tanto sucesso com uma turnê de comemoração, a possibilidade de repetirem a fórmula para os aniversários de lançamento dos outros álbuns e os planos para o sexto disco de estúdio.

Confira a entrevista completa abaixo:

Vocês estão vindo para cá para comemorar os 15 anos do seu disco de estréia ‘No Pads, No Helmets… Just Balls’. É muito louco pensar que esse disco teve (e ainda tem) tanto impacto na vida de seus fãs?
É incrível. Essas músicas e esse disco mudaram as nossas vidas e foi assim que tudo começou para a banda. Então poder voltar olhas para trás e ter a chance de tocar todas essas músicas e ver, como você mesmo está dizendo, o impacto que ele teve na vida de tantas pessoas e como essas músicas significam para todas elas através dessa turnê desde o ano passado tem sido muito louco.

Nós estamos fazendo só isso desde o ano passado e na verdade já se tornou a turnê de 16 anos (risos). É louco ver que a princípio nós começamos pensando, ‘Ok, vamos ver até onde isso vai’, e então todos os países levantaram a mão pedindo, ‘Ei, venham nos ver!’ Então ela acabou se tornando uma coisa que tomou vida própria e todos os fãs queriam assistir e fazer parte disso. Então tem sido legal para a banda voltar no tempo e pensar em tudo que fizemos desde então e ter a chance de reviver o quanto esses primeiros anos foram especiais. Tudo era novo e excitante e nós tínhamos nossos sonhos e praticamente todos eles se tornaram realidade.

Essa turnê vai ser bem grande e parece que o show em Melbourne esgotou em alguns minutos. Como é saber que vocês ainda contam com um fãs tão apaixonados depois de todos esses anos?
Sim, eu acho que uma das coisas mais legais para nós é que pudemos estar em uma banda que não foi uma coisa de momento e que tem longevidade. Essa é uma das coisas que temos mais orgulho. É muito bom ver como você pode criar essa conexão maravilhosa com seus fãs e ter toda essa paixão por uma banda e pela música.

A Austrália é um lugar muito especial para nós. Levou um bom tempo para fazermos sucesso aí. Eu acho que quando as primeiras músicas saíram era literalmente como ouvir grilos, não acontecia nada. Então ‘Perfect’ foi lançada e fomos direto para o primeiro lugar e se tornou nossa música mais famosa. Então nós re-lançamos todas as músicas e todas elas fizeram sucesso depois de não terem ido a lugar algum.

Foi um grande… Não vou dizer vindicação mas foi um sentimento muito bom saber que por termos trabalhado duro e por termos ido tanto e feito tantos shows aí e por não termos desistido, e agora tantos anos depois é um dos melhores países no mundo para nós. Os shows sempre ficam esgotados e é um lugar que amamos muito. Nós realmente adoramos poder visitá-los ano após ano, é muito legal. Nós temos muita sorte e somos muito privilegiados e reconhecemos isso e eu mal posso esperar para voltar. Eu sei que toda banda diz isso mas nós realmente achamos que é um dos nossos lugares favoritos do mundo de nos apresentar e nós sempre somos recebidos de forma muito especial e incrível, então nós estamos animados.

O disco de estréia de vocês foi escrito e lançado quando vocês estavam com uns 20 anos e eram jovens cheios de angústias. Como é revisitar essas músicas depois de tantos anos? Vocês acabam se vendo canalizando essas mesmas emoções?
Sim, eu acho que de certa forma você acaba fazendo isso e se torna parte do que somos e das nossas vidas. Nós tocamos essas músicas tantas vezes e eu acho que a coisa mais legal é a quantidade de vezes que ouvimos as pessoas falarem que elas ajudaram outras pessoas. São tantas as pessoas que chegam até nós e falam, ‘Cara, essa música, eu toquei ela para o meu pai pouco antes de ele morrer e nós acabamos tendo uma conversa boa e me ajudou muito.’ E você acaba reagindo com um ‘Wow, essa é uma música que era muito pessoal para nós.’

Nós escrevemos (‘Perfect’) para falar sobre sair da escola e ter que explicar para os nossos pais que queríamos tocar em uma banda rock ao invés de sermos algo como um advogado. Eu estava em um curso de direito e sai para tocar nessa banda e meus pais sempre deram muito apoio em relação a música, mas nunca acharam que seria um trabalho de verdade, então eles ficaram tipo, ‘O que você está fazendo?! Você não pode fazer isso!’

É muito louco ver que depois de tantos anos, esses sentimentos ainda são verdadeiros para tantas pessoas. É tão difícil explicar para alguém que, ‘Essa é a minha paixão e é isso que eu quero fazer. Eu quero seguir o meu coração e eu acredito nisso.’ Tantas pessoas sentem que as pessoas não entendem elas.

Então eu acho que é um sentimento que ainda existe, mesmo se você está mais velho e agora que todos nós temos filhos é muito louco pois é uma coisa muito estranha quando você para e pensa, ‘Será que meus filhos vão sentir isso comigo?’ O jogo virou. É um sentimento estranho mas eu agradeço muito por quanto a conexão com a música tem sido profunda, e é nisso que eu sempre penso. É tudo sobre a música, sobre as canções e por algum motivo nós podemos escrever coisas que realmente conectam as pessoas e eu acho que é por isso que ainda estamos aqui.

Fazer uma turnê de aniversário é um passo muito interessante, pois vocês ainda estão lançando música e fazendo shows. Enquanto isso, essas turnês de nostalgia são mais comuns para bandas que estão se debruçando nos tempos de ouro de suas carreiras.
Nós definitivamente fomos e voltamos com essa ideia e eu vou ser honesto com você, nós tínhamos um pouco de receio no começo pois parece que muitas das vezes são bandas que não estão mais em atividade e não estão fazendo nada e talvez isso traz uma mensagem errada de que os melhores anos são os que ficaram para trás e você só pode se vangloriar das suas coisas antigas. Mas então pensamos, ‘Quer saber? Esse não é o caso.’

Nós ainda lançamos coisas novas e as pessoas ainda nos amam e a última turnê que fizemos na Austrália vendeu todos os ingressos em todos os lugares e foi incrível. Nós fizemos três shows em Melbourne. Foi louco e era a turnê do quinto disco. Então estamos em um momento especial e são 15 anos de banda e não é algo que acontece sempre, o fato de o nosso primeiro disco completar 15 anos é um grande marco. Então nós sentimos que valia a pena tirar um tempo e tentar comemorar e aproveitar com os nossos fãs que estavam pedindo por isso.

Nós sentimos que era algo bacana de se fazer e estamos muito felizes que fizemos e assim que essa turnê terminar em alguns meses, nós iremos começar a fazer o nosso sexto disco e nós voltaremos para a estrada para tocarmos músicas novas outra vez. Com esses shows, nós tocamos o disco mas voltamos para o palco e tocamos todos os hits de todos os outros álbuns então não é como se só tocássemos as músicas velhas. Eu acho que de certa forma as pessoas acabam tendo o melhor dos dois mundos, então é uma noite perfeita para um fã do Simple Plan.

Então nós não devemos esperar que vocês façam uma turnê de comemoração para cada disco, certo?
Bom, veremos o que pode acontecer. Uma coisa que aprendemos é nunca dizer que nunca faremos algo. Nós definitivamente ainda temos álbuns que achamos que nossos fãs adorariam se fizéssemos isso, mas ao mesmo tempo nós não achamos que precisamos fazer isso. Não é como se precisássemos desse chamariz, como se fosse o único motivo de as pessoas irem nos ver.

Então eu acho que quando você tem essa auto-confiança e você está seguro que seus fãs estarão lá independente de qualquer coisa, você pode fazer coisas que você gosta, ser criativo e se divertir e você não vai sentir que está dependendo de algo desse tipo. Então eu acho que de certa forma nós temos muita sorte de não sermos uma banda que precisa ficar fazendo uma turnê do primeiro disco, entende? (risos)

Claro. E agora que vocês estão fazendo a turnê do “No Pads, No Helmets… Just Balls” por um ano, o que os fãs australianos podem esperar para a nossa vez?
Esses tem sido alguns dos melhores shows que fizemos em anos. Nos Estados Unidos foi muito louco. Fomos de shows para 1.000 ou 2.000 pessoas para duas, três noites em várias cidades tocando para 4.000 ou 5.000 pessoas. Foi fenomenal e honestamente não esperávamos esse tipo de reação. Nós acabamos fazendo três etapas da turnê nos EUA e nós tocamos em lugares que não tocávamos em anos e as pessoas foram até lá, então ficamos bem felizes. Honestamente de certa forma foi a melhor coisa dos últimos tempos, nos fez querer fazer muito mais shows nos EUA do que queríamos antes.

Durante os últimos 10 anos nossas turnês eram mais focadas nos outros continentes e isso fez com que quiséssemos fazer uma turnê nos EUA pois nós nos divertimos muito e foi muito legal. Então agora nós vamos dar continuidade. E na verdade agora vamos fazer a última Warped Tour de todos os tempos que passará por todo os EUA, então esse vai ser um jeito muito legal de dar continuidade a isso. Tem sido muito legal, a reação das pessoas tem sido ótima e você pode ver isso na própria platéia, você apresenta músicas que fazem as pessoas ficarem loucas pulando e então você toca músicas onde as pessoas só escutam e aproveitam a música.

Você percebe os verdadeiros fãs quando você toca uma música que não tocávamos há muito tempo ficando emocionados em estar lá naquele momento. Então tem sido muito bom, nós temos sorte de ainda termos os fãs conosco aproveitando a música.

Isso é ótimo! E você citou que vocês tem planos de um sexto disco. Você pode nos falar mais sobre isso?
Nós estamos discutindo sobre isso e falando sobre quando queremos lançar e que tipo de som nós queremos. Nós não somos os melhores em escrever enquanto estamos em turnê, é algo muito difícil para nós. Então eu acho que estamos planejando fazer isso logo depois da Warped Tour e começaremos a escrever por volta de Agosto ou Setembro.

Na verdade talvez nós iremos tentar escrever um pouco durante a Warped Tour dessa vez e tentaremos conseguir algumas músicas para nos inspirarmos em todas as bandas que estarão lá e nos reconectarmos com as nossas raízes durante essa turnê. Nós queremos tentar lançar logo pois nós sempre tiramos um tempão para produzir os discos e eu acho que em 2018 não é assim que funciona. Você precisa acelerar as coisas e fazer as coisas de outra forma e ter mais músicas sendo lançadas com mais frequência.

Então eu acho que esse é o plano para o nosso jogo, ter certeza que temos um disco muito bom e especial mas ao mesmo tempo, nos certificarmos de que ele será lançado logo pois os nossos fãs estão nos pedindo e queremos voltar para a estrada. Nós não queremos sumir por três anos, isso é o que o Metallica fazia nos anos 90 (risos). Nós temos que agir mais como os artistas de hip hop e lançar mais coisas.

No último disco vocês tiveram mais experimentos com o som e colaboraram com alguns artistas bem interessantes como o Nelly e o Jordan Pundik do New Found Glory. Você acha que irão fazer a mesma coisa dessa vez?
Eu acho que sempre fizemos isso nos últimos cinco ou 10 anos. Nós sempre tentamos algo que está um pouco fora do que as pessoas esperam de nós. Mas todos esses shows e turnês nos inspiraram e revitalizaram a banda e nos fez querer escrever novamente e vir com mais músicas que tenham impacto em nossos fãs. Então é bem motivador quando você tem um público que se anima e vai até você, você acaba querendo dar o que eles querem.

Então eu acho que no próximo disco nós queremos trazer um pouco do legado da influência do pop punk e nos divertir, algo que tenha impacto e seja contagiante e no estilo rápido das músicas do Simple Plan, mas também queremos mudar algumas coisas aqui e ali. Mas sim, eu acho que vocês terão muito da vibe raiz e old school, então será muito legal.